PARTE II
Nesse dia ele estava bastante inquieto e de alguma forma parecia que sabia exatamente o que iria acontecer. Acho que eu também, pois sentia um aperto no coração, sabe? Como se a intuição sussurrasse: "Não vá hoje para o seu próprio bem, fique". E eu bem que queria ter seguido-a.
Como minha cidade era pequena, quando andávamos nas ruas e elas sempre estavam praticamente desertas, não estranhávamos. Naquele dia elas estavam exatamente assim, sem nenhum ser vivo para contar história.
Ele começou a me seguir e eu nem me dei conta disso, pois andava distraidamente demais escutando The Pretty Reckless, umas das bandas que quando colocava o fone para ouvir, pronto, desligava-me do mundo.
E nem o Bob, apesar de ser mais sensível e atento a tudo que acontece ao seu redor não notou aquele ser sem escrúpulos e esdrúxulo que nos acompanhava cuidadosamente enquanto me analisava como sua próxima vítima.
Ele, seu coturno branco do tipo black boots, calças jeans desbotando, camisa preta com uma carinha (ah, aquela irritante carinha!) smile face amarelo, um sobretudo cinza de lã grossa, óculos redondo estilo Lennon e Janis Joplin com armação vermelha e seu cigarro no canto da boca literalmente acabaram comigo. Não no bom sentindo, infelizmente.
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