quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Anjo bom.


Anjo meu apareceu,
Em meio ao caos
Você me acolheu
E por ti iria daqui a Laos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O dia que morri. (Final)

PARTE III - FINAL.

Parece-te clichê, mas quando as coisas tem de acontecer não importa o que apareça, elas acontecem. É como se apesar das pedras no meio do caminho, elas retomassem ao seu rumo certo. "Certo". Labuta desnecessária lutar contra isso.
O vento era suave, mas forte e fazia as árvores balançarem pra lá e pra cá. Até que sinto uma dor e a vista escurecer levando com ela minha consciência. 
Quando acordo estou em algum tipo de cabana feita de madeira rústica. Ele me olhava e aqueles olhos passando pelo meu corpo de cima abaixo me dava arrepios. Com minhas mãos amarradas e pés, ele começou tirando meu casado.
Suas mãos eram suaves e me apalpavam levemente mesmo eu relutantemente insistia em ficar me mexendo como se adiantasse de algo. Até que ele consegue tirar todas as minhas roupas e me põe na cama. Novamente suas mãos voltavam a tocar-me, passando das panturrilhas, coxas, subiam pela barriga até meus seios.
Estava fraca e desidratada, tentar resistir àquilo que estava prestes a acontecer ficava cada vez mais difícil. Ele estava calmo e sua frieza dilacerava minhas esperanças de conseguir fugir, demonstrava-se confiante de tal modo, como se falasse: nada irá me impedir, desista e facilite as coisas para mim.
Foi aí que me lembrei de Bob! Nossa, estava tão atordoada que havia esquecido que ele estava comigo quando tudo aconteceu. 
Olhei ao redor no quarto e nenhum sinal dele, fiquei aflita. Ele pela primeira vez falou: "Se está procurando seu cachorrinho, não se preocupe. Logo, logo, quando tudo isso acabar você irá se encontrar com ele. Tá? Agora fique quietinha e não me dê trabalho. Deixe eu tratar de você."
Ainda não compreendia direito o que significava, mas tinha a certeza de que não era nada bom. Então, ele despiu-se e foi naquela noite em que fui molestada até fechar os olhos e desistir da vida, por John Carter de 39 anos. Fui sua 13ª vítima.
Acredito que depois disso tudo vocês irão querer saber o que aconteceu com ele. Houveram mais 4 vítimas.
(Até que o Dexter o torturou e o matou. Yeah! Mentirinha...)
A polícia federal juntamente ao escritório de investigação local conseguiram finalmente pegá-lo e quando ele tentou fugir, foi atingido por 10 balas. Irônico, não?  Morto pelo número de balas correspondente a idade da maioria de suas vítimas. 
E agora finalmente eu poderei descansar e acabar com o martírio que foi passar esses anos todos presa ao meu assassino, vendo-o analisar e fazer com outras crianças tudo o que ele fizera comigo. 
Dizem que a vingança bem nenhum trás, mas é mentira. Me trouxe a paz pela qual eu tanto pedia. E, nem sempre ela acontece pelas nossas próprias mãos. As vezes a vida e o destino tratam de dá-la exatamente a quem merece.
Adeus.
                  Emma Collins, nascida em 4 de julho de 1990 e assassinada no dia 13 de outubro de 2000.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

No fair.

Insônia bateu e eu não pude deixar de reparar: já faz um ano que o vi pela última vez. Olhando nossa foto, fiquei relembrando todos os ótimos momentos que passei ao seu lado. Conhecê-lo foi um prazer imenso e só quem teve essa chance saberá do que estou falando. Conter o riso perto de ti era uma tarefa impossível tal qual ficar triste. Não sei o que dizer além de que sinto sua falta. De que no dia do meu aniversário eu pensei inúmeras vezes em você. Hoje, há um ano foi um dia feliz para mim. Só que hoje, nesse ano, ele não é tão feliz assim... Como poderia? É fato quando dizem que devemos aproveitar cada momento como se fosse o último. Porque mal eu sabia que aquele 16 de julho de 2012 seria a última vez que ganharia seu abraço e te veria vivo, com aquelas brincadeiras, e enfim, sendo você.
"Somente um anjo poderia ser tão incomum." 
Incomum. Esse é um ótimo adjetivo para você. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Psicose.



De repente perdi minha insanidade por um momento e me vi na tentativa de cortar a linha tênue tão delicada como é a da vida. Acho que todo ser humano sensível corre o risco de fazer isso. Pois, graças a tamanha sensibilidade é capaz de absorver de forma mais intensa comparada aos demais, tudo o que acontece consigo. Senti meu pulso formigar e a vista escurecer por alguns poucos segundos e acordei dessa psique desesperada por não me reconhecer diante de tal ato. Sentindo aquela escuridão se alastrar pelo meu corpo e pela minha mente foi uma experiência intensa e assustadora. De fato, nunca sabemos o dia de amanhã, antes eu não entendia quem tenta ou conseguiu acabar com tudo por livre arbítrio. E hoje não só entendo como tentei o mesmo, não ter um amanhã.

Findi-Zé




Zé, crido eu
Um dia haveria algo
Inocente a pensar
Ter certeza de amar
Dar-me fosse o incerto
Sê-lo-ias assim meu

Não beija-me
Miserável tu sejas
De tamanha falsidade
Enxerguei a verdade
Ah!, maldito e Judas
Despeço-me

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O dia que morri - II

PARTE II
Nesse dia ele estava bastante inquieto e de alguma forma parecia que sabia exatamente o que iria acontecer. Acho que eu também, pois sentia um aperto no coração, sabe? Como se a intuição sussurrasse: "Não vá hoje para o seu próprio bem, fique". E eu bem que queria ter seguido-a.
Como minha cidade era pequena, quando andávamos nas ruas e elas sempre estavam praticamente desertas, não estranhávamos. Naquele dia elas estavam exatamente assim, sem nenhum ser vivo para contar história.
Ele começou a me seguir e eu nem me dei conta disso, pois andava distraidamente demais escutando The Pretty Reckless, umas das bandas que quando colocava o fone para ouvir, pronto, desligava-me do mundo.
E nem o Bob, apesar de ser mais sensível e atento a tudo que acontece ao seu redor não notou aquele ser sem escrúpulos e esdrúxulo que nos acompanhava cuidadosamente enquanto me analisava como sua próxima vítima.
Ele, seu coturno branco do tipo black boots, calças jeans desbotando, camisa preta com uma carinha (ah, aquela irritante carinha!) smile face amarelo,  um sobretudo cinza de lã grossa, óculos redondo estilo Lennon e Janis Joplin com armação vermelha e seu cigarro no canto da boca literalmente acabaram comigo. Não no bom sentindo, infelizmente.