sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Vendedor Ambulante


Vendo o prematuro
Vendo o aborto
Vendo o imaturo
Vendo o morto

Vendo o amor
Vendo a saudade
Vendo o pudor
Vendo a maldade

Vendo o incapaz
Vendo a doação
Vendo a paz
Vendo a ação

Vendo a crença
Vendo a guerra
Vendo a doença
Vendo a Terra

Vendo a ração
Vendo o rico
Vendo o pão
Vendo o circo

Vendo à beça
Vendo o prazer
Vendo a cabeça
Vendo o entorpecer

Vendo o desencanto
Vendo o sobretudo
Vendo o espanto
Vendo o futuro

Juliana Maria de Carvalho

domingo, 20 de julho de 2014

Ohana

Cinco meses de saudades. São tantos sentimentos aqui dentro... Queria que você aparecesse em meus sonhos novamente ou pudesse ler todas as minhas cartas ou pensamentos sobre nossos 17 anos, 7 meses e 13 dias juntos, entre "tapas e beijos". Brigar era com a gente mesmo! Saudades de quando você me pegava no colo e levava para a cama. Saudades do seu raro sorriso. Saudades de quando saíamos para jantar em família.  Saudades de dormir "de costela" entre você e a mamãe ou te expulsar da cama para dormir só com ela (risos). Saudades da sua (natural) cara de zangado. Saudades de quando você colocava músicas bem alto no carro e tomava sua cerveja gelada. Às vezes,  uns bregas bem antigos só para irritar minha mãe, já que ela não suporta muito.  Saudades de tudo.  E tanto.
Já dizia a música de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, por toda a minha vida eu vou te amar. Não esquecerei de nada e todas as pessoas que passarão por minha vida irão saber do guerreiro que tive como meu pai. Um exemplo de superação e que não podemos desistir nunca,  mesmo quando tudo parece estar prestes a dar errado e desabar em cima de você. Amo-te, novo (meu) anjo da guarda.

"OHANA means family,  and FAMILY means nobody gets left behind or forgotten." ♥

terça-feira, 15 de julho de 2014

Satisfação do dia: livros novos.

Dia comum. Mamãe me convidou para ir ao shopping e ao passar em frente a uma livraria,  não resisti e entrei. Inicialmente fiquei frustrada com a falta de estoque de alguns autores "dos meus", mas tudo bem. Segui adiante com a lista dos livros desejados que veio a mente e encontrei dois deles: INFERNO, do Dan Brown - mesmo autor de o mega-seller O Código da Vinci. + FELICIDADE CLANDESTINA, da doce Clarice Lispector. 

BREVE SINOPSE:
01 - " Neste novo e fascinante thriller,  Dan Brown retoma a mistura magistral de história,  arte, códigos e símbolos que o consagrou em O Código da Vinci,  Anjos e Demônios e O Símbolo Perdido.

Robert Langdon acorda desorientado num hospital em Florença.  Vítima de um atentado, foge com a médica Sienna Brooks para tentar decifrar uma série de enigmas inspirados na obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia."

02 - "Ao todo, Felicidade Clandestina reúne 25 textos que tratam de temas diversos, tais como a infância, a adolescência, a família, o amor e questões da alma. Assim como a crônica que dá título ao livro, muitos dos textos apresentam algo de autobiográfico, trazendo recordações da infância da autora em Recife, alguma personagem que marcou seu passado, etc. Através da recordação de fatos do seu passado, Clarice Lispector busca nos contos fazer uma investigação psicológica de autoanálise."

Bem, ainda não os li, mas desde já recomendo sem pensar duas vezes antes. Adorei algumas obras lidas deles. Fascinantes! Estes não devem fugir de tamanha qualidade. 

Abraço!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Velha infância

Carlos Drummond de Andrade dizia que na infância e velhice a felicidade está numa caixa de bombons e Rousseau que na velhice se faz uso do saber acumulado na juventude. De fato, são crianças em espírito e têm bastante coisa a compartilhar com quem se permitir a isso. Aprenda com quem é experiente e já esteve em seu lugar. Respeite acima de tudo e ame verdadeiramente os idosos ao seu redor, pois um dia as cortinas se fecham após uma peça única de teatro, a vida.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ó

sertão 
ser
tão

ó

Re(a)me


Adeus
Briga
Raiva
Saudade
Amor
Prazer

Palágrimas


 Cada pessoa lida com uma crise de maneiras diferentes, uma delas é se sobrecarregar ao máximo de afazeres para evitar até pensar sobre o que está acontecendo ou algo que se passou. Eu sou uma delas. Tudo começou nos meados do ano de 2012, quando meu pai queixou-se de dor no dente e da mesma se desencadeou em ferida ou "calo" na língua. Nesse meio tempo, conheci um menino da escola, fazia o terceiro ano do Ensino Médio, apelidava-o de nerd, devido os seus conhecimentos na área tecnológica e que por sinal sou um desastre no assunto! Não entendo e nem tento me fazer compreender. Não tínhamos lá nada a ver um com o outro, mas mesmo assim sem saber o porquê, tornamo-nos amigos. 

Chegamos então no ano de 2013. Muita pressão envolvida: ano de vestibular. Mal eu sabia que isso era apenas a ponta do iceberg. Papai continuava reclamando sobre a dor e foi ao médico, após tratamento, notou que sua língua não melhorava e voltou a fazer exames até que veio a notícia que assustou a todos: câncer. Eu nem queria, mas já comentando como descobri gostaria de ressaltar que meu irmão foi idiota (amor fraterno é tão fofo) até numa hora dessas. Estava almoçando para ir assistir aula e puxei o assunto sobre o que estava acontecendo, pouco antes de acabar de comer ele se vira para mim e diz "Não tá sabendo? Meu pai tá com câncer.". U-a-u! Que modo delicado de contar, hein. Minha cabeça ao chegar na aula estava um turbilhão de pensamentos. E foi a partir desse dia que o medo de perder uma das pessoas que mais amo na vida começou a me perturbar diariamente.

Lauro e eu estávamos cada vez mais próximos, até que no dia 16 de fevereiro ele me convidou a ir numa festa com ele na casa de uma menina bem mais nova da nossa escola. Não queria ir e nem sentia entusiasmo ao pensar sobre, mas resolvi telefonar e dizer que estava me arrumando e fui assim mesmo, sem razão ou querer. Parece coisa de gente bipolar, não é? "Eu odeio ser assim, é muito bom". Chegando lá, lembrei-me do trecho da música de Legião Urbana, era uma festa estranha com gente esquisita e não estava legal. Do meio pro fim me enturmei com alguns amigos dele e estava intrigada com a cordialidade daquele menino. Perguntava a mim mesma o que diabos fazia ali com ele, mas estava achando bom e permaneci na minha. 

O tempo passou sem que notasse, logo teria que me despedir e voltar pra casa. Estávamos na entrada da casa, em frente a porta e de repente por alguns minutos nada ao nosso redor parecia estar ali. Não ouvia ou prestava atenção e o vento frio me fazia ficar encolhida cada vez mais. Ele me fitava com os olhos e conversávamos. Ao me despedir e chegar em casa, trocamos mensagens a madrugada inteira e por volta das 5h da manhã ele me diz que gostava de mim há muito tempo e que ao falar sobre uma certa garota, ela era eu, eu era ela e essa coisa toda. Inicialmente fiquei confusa com tudo e preferi evitar pensar sobre o assunto por um tempo. No outro final de semana, uns amigos combinavam assistir filme. Ele falou que estaria lá e eu comentei que nos veríamos então. Não sei como isso aconteceu, mas quando notei lá estávamos todos nós comprando o bilhete para assistir ao filme João e Maria: Caçadores de bruxas (sim, ainda lembro).

Ficou achando que ele sentou ao meu lado, botou a mão na minha, trocamos olhares e nos beijamos? Se sim, está redondamente enganado. Nada disso, graças ao meu amigo que sentou ao meu lado assim que eu encostei na cadeira. Confesso que achei engraçado e adorei a situação. Achei melhor como foi, teria sido bem chato se acontecesse algo, sendo que convidei o Carlos para me acompanhar naquele sábado. Todos se despediram e Lauro ficou para pegar carona comigo. Fomos em direção ao estacionamento do shopping e ambos se encostaram no carro até que ele segura a minha mão e a coloca em seu peito. Fiquei assustada. Seu coração batia tão forte que parecia que a qualquer momento saltaria pela boca. Até que ele pergunta se eu sabia o motivo de estar daquela forma e já foi respondendo, era eu. Aquele dia 23 de fevereiro ficou marcado. Um mês depois contamos a todos que estávamos namorando. Resumi bastante o início de tudo, mas estava feliz em saber que em meio a tantos problemas e desencontros, encontrara alguém ou alguém me encontrava. Encontramos um ao outro. 

Quimioterapia e radioterapia todos os dias com exceção finais de semana durante cerca de cinco meses não é fácil e meu guerreiro Antônio estava firme e forte. Perdia os cabelos e peso, mas a vontade de viver, fé e vaidade permaneciam intactas. Passou a evitar sair de casa e isso preocupava a todos uma possível depressão devido a doença e seus acompanhantes. Era muito difícil vê-lo se transformar noutra pessoa. Era muito difícil vê-lo pedir ajuda para se levantar ou fazer algo. Uma pessoa que sempre ajudou os outros, dessa vez era ajudada por nós. Era muito difícil vê-lo chorar de dor e nada poder fazer a respeito além de me trancar num quarto e chorar até cansar, depois de pedir a Deus que o fizesse ficar bem novamente. Era muito, muito difícil mesmo ver que não era um dia ou outro, mas uma rotina. Algo que eu deveria aprender a lidar dia pós dia. Ainda assim cobrava em dobro de mim e estudava sempre que conseguia, independente dos horários. 

Chegamos em julho e as férias se aproximavam. Não me recordo da data, mas dele indo me buscar com minha mãe Cândida, vira-se pra mim com uma cara de felicidade e mostra a alta da quimioterapia. Teria que fazer por uns dias a radioterapia, mas aquilo já era um grande avanço e alívio para todos nós. Sorri de volta e disse que era ótimo. Fiquei tão feliz por ele ter dividido aquela felicidade e entusiasmo comigo diante de tudo. Era tão confortante. Pouco tempo depois ele acabou totalmente o tratamento, após isso só deveria ficar indo fazer exames de rotina regularmente. Parecia que a calmaria tomava conta. Pulando uns meses, fiz minha prova de vestibular e não gostei muito. Fiquei decepcionada comigo mesma e o resto do dia trancada no quarto sem falar com ninguém. O que por fim amenizava era saber que meu pai estava livre dessa maldita doença. 

Ao acabar o tratamento, um mês passou e ele não ganhou peso. Dois meses passaram e ele não ganhou peso. Três meses passaram e ele não ganhou peso. Ficamos nessa expectativa até depois do resultado, passei para Ciências Biológicas e ele me pediu para cursar assim como todos os meus familiares. Decidi que cursaria sim e cheguei a fazer a primeira matrícula, até que papai intrigado voltou ao médico. Fez uma bateria de exames e ao retornar, teve a infeliz notícia de que estava com tumores pelo corpo e teria que fazer outro tratamento. Ninguém conseguia entender como foi tão rápido e sem alardes daquela forma. Era revoltante. O dono da clínica ao ver os exames dele se admirou com a gravidade e conversou com ele até. A nossa família ficou cinza depois daquele dia. O medo tomou conta de todos. Escutá-lo chorar para minha mãe e não enxergar mais o meu pai naquele homem era devastador pra mim.

Estava a mil e odiando o mundo. Lauro era ótimo pra mim, apoiava, mas em troca disso começamos a brigar sem parar e por coisas tão pequenas (não preciso fazer uso de outros parágrafos para contar o desfecho, creio). Eu confesso que nunca fui boa de lidar, mas diante de tudo o que eu mais queria era descarregar tudo que sentia chorando ou seja lá como fosse. Ele deu a palavra de que estava ao meu lado pra isso, mas na prática não era assim e isso me magoava tanto. Corria para os braços dos meus amigos ou me isolava guardando pra mim mesma. Não queria ficar o tempo inteiro fazendo alguém escutar meus dramas e lamentos sobre isso tudo. Pra ser sincera, não sabia o que fazer sobre nada. Só queria me manter aguentando, seja como fosse. Por exemplo, desde dezembro de 2013, ajudei a fundar um grupo voluntariado, no qual sou administradora até então. Para evitar pensar em agir, atolei-me em afazeres. Prazo de fazer a segunda matrícula na universidade passou, mas deixei passar. Não estava em condições de ir atrás disso e nem teria como ficar me deslocando com ônibus, pois teria que pegar dois pra ir e para voltar, sem falar na periculosidade. Ir de carro seria o mais viável, mas como papai teria que recomeçar outro tratamento, ficava impossível funcionar.

 Esperamos algumas semanas e a doutora Renata disse que o tratamento funcionaria da seguinte forma: internação para receber a quimioterapia por uma semana e 28 dias em casa, permanecendo assim por uns meses. Antes disso, seria necessário mais outros vários exames e analisar melhor o caso dele. Mais tumores e desta vez estavam ainda mais espalhados. Um deles estava afetando um dos pulmões. Era mais sério do que pensávamos e ninguém sabia o que fazer além de tentar apoiá-lo como podíamos. Chegou fevereiro de 2014 e ele deveria começar o quanto antes. Vi-o animado em iniciar essa tortura toda de novo, para assim ficar bom logo, assim dizia. Quanta força numa pessoa só! Esse era meu pai, batia no peito ao pensar assim. Sempre admirei ambos, mas diante disso tudo, admirava-o ainda mais. Chegou a primeira semana de tratamento, todos levantaram cedo, mas eu não fui deixá-lo no hospital para não atrasá-los. Abracei-o com cautela diante de seu corpo magro e frágil, olhei em seus olhos e disse que não era para ele se preocupar, porque daria tudo certo. 

A gente nunca sabe qual será a última vez a ver quem amamos, não é mesmo? Primeiro dia passou. Segundo dia passou. Terceiro dia passou. Tentei fazer dar certo ir vê-lo, mas a rotina estava difícil de conciliar tudo aqui em casa e acabei adiando. No quarto dia dele internado, minha mãe liga com bastante tristeza na voz e diz que ele passou mal. Sentiu insuficiência respiratória, mas os médicos o ajudaram e ele estava bem. Dei minha palavra que na manhã seguinte iria bem cedo pra lá. Ela me ligou às 6h da manhã, acordei mal-humorada achando que era para acordar meu tio de novo, mas não era. Avisou que novamente ele sentiu dificuldade para respirar e que teria que ir para UTI. Apressei meu irmão e corri para tomar banho e ir lá ficar com a mamãe e vê-lo. Debaixo do chuveiro o telefone não parava de tocar, corri para atender. Número da minha mãe, mas não era ela na ligação e havia choro no fundo. "Juliana, eu tô aqui com a sua mãe e tenho uma notícia nada boa para lidar. Olha, presta atenção, por favor e tenta vir pra cá o mais depressa possível, mas... Juliana... seu pai entrou em óbito. Ele faleceu." 

Óbito. Óbito. Não conseguia respirar, sequer pensar. Desliguei e gritei sem parar pelo meu irmão. Ele me viu descabelada, molhada e chorando sem parar. Pediu sem parar para que eu dissesse que não era verdade. Nunca me imaginei tendo esse momento com meu irmão. E foi assim que perdi uma das pessoas que mais amo na minha vida, meu pai. Há quem diga que com o passar do tempo tudo melhora, mas isso é uma mentira. Não melhorou. Dói tanto. Pulando acontecimento póstumos, antes da missa de sétimo dia eu deitei e tive o sonho mais lindo de todos. Ele aparecia para mim e estava com um semblante pacífico e alegre, dizia que me amava tanto e eu falava o mesmo. Disse outras coisas que me deixaram deprimida por não ter dito a ele e foi tão bom. Abraçamo-nos e ele foi sumindo aos poucos. Dane-se a crença alheia. Era real. Ele estava comigo. Sei disso. Pode ser que nunca mais aconteça isso novamente, mas me conforta saber que ele está em paz e bem, aonde quer que esteja. Ah!, meu pai. Que saudade imensa aqui dentro. Não sabe em mim. 

Encontrei-me no fundo do poço e para negar tudo que estava frente a mim, ocupei-me até choramingar de cansaço e sentir que não aguentava mais, mas ainda assim cobrava o dobro de esforço e continuei. Sobrecarreguei-me além do normal. Cá estou me sentindo da mesma forma quase quatro meses depois de que tudo aconteceu, senão pior. Uma das coisas mais difíceis que temos que nos acostumar ao perder um ente querido, é saber que terão tantos momentos em que essa pessoa fará falta mais do que o normal do dia a dia. Meu aniversário está chegando e esse é o primeiro momento sem meu pai. Dezoito anos. Imaginei tantas coisas para esse dia e nada farei. Trocaria tudo por um abraço dele de novo. Ou ao menos outro sonho. Trocaria tudo para tê-lo aqui fazendo suas invenções, brincadeiras e brincando com a mamãe até ela se zangar e mandá-lo cheirar "biloto", deixando-o curioso em saber o que diabos significava isso. Trocaria tudo para fingir estar dormindo e esperar que ele me pegasse no braço e trouxesse à cama, como fazia quando eu era uma criança. Trocaria tudo para escutá-lo dizer que eu parecia uma índia com olhos da cor de jabuticaba de tão negros. Trocaria tudo para brincar junto sobre a tal tribo "tacaquero". Trocaria tudo para ver ele e a mamãe competindo sobre quem era o chefe e submisso da casa. 

Seria hipocrisia da minha parte dizer que tivemos uma vida linda e feliz em família juntos, mas todos os momentos incluindo ruins ficarão sempre em minha memória, pois graças a isso eu sou o que sou hoje.Se eu sou racional, pareço mamãe. Se eu sou estressada, pareço papai. Sou uma mistura dos maiores presentes da minha vida. Retomando, cada pessoa lida com uma crise de maneiras diferentes, uma delas é se sobrecarregar ao máximo de afazeres para evitar até pensar sobre o que está acontecendo ou algo que se passou e eu sou uma delas. Sabendo nadar, deixei-me afundar nesse mar e não consigo emergir. Não adie para amanhã o que você - além de poder - deve lidar agora, pois já dizia o poeta, aproveite cada minuto já que o tempo não volta e o que volta é essa vontade de voltar no tempo. Por isso, uma crise de cada vez. Em frente. Enfrente. Sentido(r)!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ser voluntário

Ser voluntário é "fazer o bem, sem olhar a quem" ou esperar algo em troca. Ser voluntário é possuir uma válvula de escape dos problemas que nos cercam. Ser voluntário é criar laços de amizade e fortalecer os já existentes. Ser voluntário é ter a consciência sobre a realidade na qual o mundo se encontra e fazer algo a respeito. Ser voluntário é sentir uma felicidade indescritível e que só quem é um a conhece. Ser voluntário é doar. Ser voluntário é amar o próximo.  Ser voluntário é não conseguir reter a emoção e, às vezes,  a mesma escorrer pelos olhos. Ser voluntário é andar de mãos dadas com quem precisa.  Ser voluntário é doar-se. É amor. Muito amor. Que a voluntariedade faça parte de vossas rotinas, pois somente assim poderão entender deveras estas palavras. 
Hoje tenho como projeto de vida a voluntariedade. É um retorno maravilhoso fazer o bem ao próximo. 
Cá pra nós, está em falta gente que saiba ser humano. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

(Res)pira. (Ex)pira. (Não) pira.


De repente me vi frente a ti. Olhos nos olhos, coração palpitando forte cada vez mais e não conseguia acreditar que tu estavas realmente ali. No instante em que aparecestes, não havia mais ninguém ao nosso redor. Só enxergava você. Oportunidade única para finalmente dizer tudo que guardara para mim, embora só conseguisse te admirar e falar o quanto eu tudo sentia. Desejando mais que qualquer coisa que aquele momento fosse eterno. E, também que a realidade fosse nada além duma quimera morta. "Diz que é tudo coisa da minha cabeça, um sonho ruim, por favor" pensava ao ouvir que me amava muito. Seu semblante transmitia alegria e paz.
(Res)pira. (Ex)pira. (Não) pira. 
Enfim, a melhor parte de todas. Pude sentir o calor do seu corpo embalada em seus braços como quando era uma menininha. Não é à toa que a Martha Medeiros diz que tudo que você pensa e sofre, dentro do abraço se dissolve e o mesmo é o melhor lugar do mundo. Contrariando todas as malditas leis do universo, estávamos lá, eu e você. Foi real. Eu o sentia, até nos afastarmos, olharmo-nos e abrir um sorriso. Estava parada diante do sorriso mais lindo do mundo! Não somente pela beleza em si, mas a sua raridade. Notamos naquele silêncio que era a despedida que eu pedi a Deus. Não precisou ser mais nada dito.
Sua imagem foi ficando cada vez mais translúcida...
Acordei. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tenho em mim todos os dramas do mundo


Acredito na seguinte opinião de que cada um tem seu limite emocional. E, ao atingirmos, é como se a qualquer momento fôssemos explodir. Entendem o que quero dizer? Coisas pequenas tomam grandes proporções, infelizmente. Aquele velho fazer tempestade num copo d'água. Prazer, eu, no momento. Tantos porquês. Tantas razões. Sentimentos perdidos resolvem aparecer e a união faz a força. Para fazer-me chorar, claro. 
Entretanto, o "tudo bem" e sorriso amarelo sempre são válidos. Faz parte. Hoje, perguntam-te como você está por educação, não por realmente se importar. Difícil distinguir ambos tipos vindo das pessoas. Não dá. Então que assim seja. Nunca fui de abrir portas facilmente, e, a ideia de abrir uma sem pré-requisitos e preenchimento de cadastro, além duma assinatura de contrato, para meus sentimentos mais profundos, é indubitavelmente absurda. Então, deixemos aqui dentro de mim, guardados à sete mil chaves, todos os (meus) dramas do mundo.